A palavra de ordem para nós neste 30º Domingo do Tempo Comum é a acolhida. A acolhida é feita pela prática de amor que demonstramos aos irmãos e também aos desconhecidos. Nossa comunidade é sempre visitada por pessoas de fora e, portanto, como cristãos verdadeiros que devemos ser, está na nossa condição primordial a acolhida.
A Primeira Leitura, do Livro do Êxodo, nos mostra a acolhida que deve ser dada ao estrangeiro. E Deus lembra ao povo de Israel que isso deve ser feito porque também o povo foi um dia estrangeiro na terra do Egito (e da Babilônia e tantos outros lugares mais). Assim como Deus age conosco com misericórdia, devemos nós também agir com misericórdia para com os outros (chamemos a eles de irmãos ou não). Outro fator importante que o Êxodo nos traz é a questão de honrar os contratos: "se tomares como penhor o manto do teu próximo, deverás devolvê-lo antes do pôr do sol".
Deus é a fonte de amor e de misericórdia inesgotável para todos nós. É nele que devemos buscar nossa força e salvação, como nos pede o Salmo. Deus deve ser nossa força, nossa rocha salvadora, nosso refúgio e aquele que nos anima e entusiasma para a prática do amor concreto no seio da comunidade.
Sabemos como devemos proceder: sabemos que devemos amar os irmãos. Entretanto, somos tão mesquinhos, egoístas, carentes que não conseguimos dar o passo em direção ao irmão. Como nos diz São Paulo, através de sua carta aos Tessalonicenses, tornamo-nos imitadores de nosso Senhor. Isso significa que nos tornamos acolhedores da Sua Palavra e, com a alegria do Espírito Santo, acolhemos também aos irmãos, independente de nossas tribulações, que, aliás, não devem ser obstáculos para nossa caminhada, pois, retomando o Salmo de resposta: "ó Senhor, sois minha força e salvação".
Por fim, o Evangelho nos traz a plenitude do cumprimento tanto da Lei quanto dos profetas: o Amor. Para os Judeus, as Sagradas Escrituras (o Antigo Testamento, principalmente) estão alicerçadas na Torá (a Lei) e nos profetas (Livros dos Neviim), juntamente com os Livros Históricos (Livro dos Kethuvim). Desse modo, Jesus reforça sua missão de que não veio para "abolir a Lei e os profetas, mas para dar-lhe pleno cumprimento" (Mt 5,17). O pleno cumprimento de toda e qualquer Lei que possa vir de Deus é alicerçado no Amor.
Um amor que deve ser transcendente: "Amar a Deus sobre todas as coisas", "de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento". Amar a Deus que não vemos é, certo modo, fácil. Contudo, esse amor transcendente precisa ser encarnado e, o amor encarnado, é o irmão. É no irmão que conseguimos encontrar as nossas dificuldades, vencer a nossa falta de fé, de esperança, de amor... É no irmão que conseguimos amadurecer a nossa caminhada. O irmão não é pedra de tropeço... Ao contrário, é certeza de que estamos no caminho certo e que, através dele, toda a comunidade junta consegue construir a vontade de Deus.
Peçamos que Deus nos dê mesmo a coragem de um dia conseguirmos amar aos irmãos como amamos a nós mesmos. Lembrando sempre que a acolhida é dom de Deus. Quem acolhe os irmãos, acolhe também a Deus.

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