“Que todos sejam um.” (Jo 17,21)

sábado, 11 de outubro de 2014

Solenidade de Nossa Senhora Aparecida - Mãe e Padroeira do Brasil

O que nos distingue dos demais cristãos é nossa devoção e nosso amor por Maria, chamada carinhosamente sempre de Nossa Senhora. Devoção nada tem a ver com "ADORAÇÃO" ou com "IDOLATRIA". Nós veneramos a Virgem Maria, não a adoramos nem a idolatramos, até porque tudo que se refere à Maria leva-nos ao Cristo, Nosso Senhor. Sendo assim, costumo sempre dizer que nós, católicos, temos um Pai (Deus Todo Poderoso) e temos uma mãe. Não somos órfãos em nenhum dos lados. Isso significa que Maria complementa e completa a Obra de Deus Pai criador para com a humanidade dando-nos uma mãe que é modelo de tudo para nós: virtude, amor, humildade, generosidade, mansidão, paciência... As qualidades de Maria são mesmo inumeráveis.

Nas relações familiares de hoje talvez já não haja tanto a ideia que irei comentar, mas, ainda assim, todos haverão de compreender minha reflexão. Até um certo tempo, dentro das famílias, era o pai o provedor de tudo: devia trabalhar e sustentar o restante da família, era o gerenciador de todas (ou quase todas) as coisas da casa, cabendo a ele não deixar faltar nada. Era a autoridade por se dizer, de quem a última palavra era sempre lei. Em muitas famílias, o acesso ao pai era algo um pouco complicado. Portanto, o filho ou a filha costumava recorrer à mãe para que "intecedesse" junto do pai em favor de um pedido seu.

É assim o nosso relacionamento com Maria. Não a colocamos como "deusa", mas como alguém que intecede e que pede sempre por nós. A mãe nunca irá pedir ao Pai algo que seja ruim para o filho. O papel de Maria na Igreja é o de ser, em primeiro lugar, exemplo de virtude, de amor e todas as coisas que já falei acima. Além disso, Maria é nossa maior intercessora, pois, com olhar de mãe, é capaz de compreender nossas necessidades e rogar, junto ao Pai, por elas, como pedimos na Ave Maria: "Rogai por nós pecadores...".

É dever nosso de cristãos católicos entoar, assim como os anjos, louvores àquela que, através de seu SIM, foi responsável por trazer a nós o Redentor. A festa solene de Nossa Senhora Aparecida não é algo que deva ser confundido com idolatrias sem sentido. Pelo contrário, com isso mostramos o quanto somos gratos a Deus por nos ter enviado o Salvador, que quis se encarnar, sofrer nossas mazelas, sorrir com nossas alegrias, fazer-se homem no meio da humanidade. Seria, certamente, muito mais simples e fácil a Deus apenas vir ao mundo como que em um "passe de mágicas". Entretanto, ele quis nascer de uma mulher, como todos nós nascemos. Quis sofrer conosco e se alegrar também. Sendo assim, como nos diz um célebre teólogo, "assumiu tanto a nossa condição de humanos que, sendo tão humano como foi, só podia ser Deus". Somente Deus mesmo para poder chegar ao mais íntimo de nossa humanidade.

Além da gratidão, Maria ajuda-nos a conservarmos sempre a esperança. Temos dificuldades, temos problemas, temos inúmeros obstáculos na vida. Entretanto, não desanimamos, não nos entregamos, seguimos nosso caminho. Através de Nossa Senhora, que não mediu esforços para ajudar os que mais precisaram, nós também ganhamos forças para poder seguir nossa caminhada árdua de filhos e filhas de Deus.

Tenhamos a consciência de ter, em Nossa Senhora, aquela intercessora que sempre pedirá ao Filho, nosso Senhor, o vinho novo que traz a alegria, que traz a festa. O vinho, nas bodas de Caná, representa a vida nova, em Cristo, trazida através da intercessão de Maria que pede: "Fazei tudo o que ele vos disser". E nós? Temos a coragem de fazer tudo o que Jesus nos pede? Peçamos a intercessão de Nossa Senhora para que nos ajude a sempre ter o coração e a mente abertos para dizer o nosso SIM.

Nossa Senhora Aparecida, mãe e padroeira do Brasil, rogai por nós!

Padre Anderson Rodrigo

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