“Que todos sejam um.” (Jo 17,21)

sábado, 20 de setembro de 2014

25º Domingo do Tempo Comum

"Envia-nos, Senhor, para trabalhar em tua vinha"
 
A imagem da vinha nos traz, à lembrança, a imagem que Jesus quis dar ao povo quando lhes conta a parábola do patrão e de sua vinha. Muitas pessoas na comunidade entendem, de certa forma, esta passagem porque são pessoas que, na sua maioria, viveram no campo. Pessoas que não trabalharam diretamente em uma vinha (plantação de uva), mas que trabalharam (ou ainda trabalham) com o cultivo da terra.

 
Em quase todas as missas nós cantamos: "Enviai, Senhor, muitos operários para a vossa messe, pois a messe é grande, Senhor, e os operários são poucos". Muitos não entendem o que seja a tal MESSE. A palavra MESSE significa o campo de trabalho (a plantação, mais especificamente). No Evangelho, Jesus compara o Reino dos Céus (ou Reino de Deus) com a vinha, na qual o patrão (Deus Pai) sai para contratar vinhateiros para que possam trabalhar na vinha. Os vinhateiros somos cada um de nós, que, através do convite de Deus Pai, colocamo-nos no trabalho da vinha, ou seja, no trabalho de evangelização, no trabalho de anunciar ao mundo o Reino dos Céus.
 
Entretanto, a messe é muito grande, pois ela compreende o mundo inteiro e os trabalhadores, ou seja, os evangelizadores, são muito poucos. Do mesmo modo como os trabalhadores são poucos, aqueles que assumem a missão de evangelizar, que somos cada um de nós, acaba apresentando uma visão bastante limitada, humana, e, desse modo, não conseguimos compreender quais são os desígnios de Deus para conosco e para com o Reino. Colocamos nossas vontades, nossos anseios, nossas limitações e acabamos por fazer interpretações errôneas acerca do próprio projeto de Deus para toda a humanidade.
 
Por vezes, queremos evangelizar ao nosso modo, sem colocar, antes, a própria vontade de Deus em nossas vidas. Assim, acabamos nos distanciando do que é realmente o projeto de Deus para cada um de nós. Para que façamos a vontade do Pai, em todos os aspectos e não só na questão da evangelização, é preciso que nosso coração se converta, como pede-nos o profeta Isaías na primeira leitura. Nossos caminhos, por vezes, encontram-se distantes daquele caminho desejado por Deus para nós. Caminhamos como que na escuridão, cegos, achando que fazemos a vontade de Deus quando, na verdade, fazemos mesmo é as nossas vontades, as vontades do mundo, as vontades dos outros, deixando o projeto de Deus para um "segundo" ou até mesmo um "terceiro" plano.
 
Isaías chama a nossa atenção dizendo que é preciso buscar o Senhor enquanto ele pode ser encontrado. Isso significa que nós temos trilhado caminhos escusos, diferente dos caminhos de Deus. É preciso que demos voz ao que o Senhor diz a cada um de nós, que não ouçamos o ímpio, o injusto, o mundo. Ainda há tempo para que possamos voltar para Deus e o caminho ainda está lá para que possamos voltar a trilhar.
 
Isso traz a nós diversos questionamentos: "Como está nossa vida de oração?"; "Qual tem sido a primeira motivação minha assim que acordo?"; "Tenho invocado o nome do Senhor para que abençoe o meu dia?". Assim como o profeta Isaías diz na primeira leitura, é preciso que proclamemos sempre o que o salmista nos coloca: "O Senhor está sempre perto da pessoa que o invoca". E qual tem sido nossa relação com Deus? Uma relação de pedidos ou uma relação de agradecimento por nossa vida, a vida das pessoas que amamos?
 
Quando nos dispomos a vir à missa ou quando nos dispomos a evangelizar, através de nossos trabalhos pastorais, nossos trabalhos em nossos ministérios ou em nossos movimentos, também nos dispomos a glorificar a pessoa de Jesus. O Cristo é glorificado em nosso corpo, como nos diz o Apóstolo Paulo na segunda leitura. Nossas atitudes devem ser colocadas ao nível de como se coloca Paulo: que o viver seja Cristo e que nosso morrer seja lucro.
 
Talvez estas palavras de São Paulo soem um pouco estranhas, mas, o que ele quer nos dizer é que todo aquele que se põe no serviço da evangelização, que se coloca no trabalho da Messe do Senhor, terá, como lucro, a vida eterna. Pois, para o cristão, a morte não é uma finitude, não é uma limitação para nossas almas, porque acreditamos na vida eterna.
 
Para tanto, é preciso conversão. Conversão não é simplemente mudar de uma religião para outra. Conversão implica numa mudança de vida, pautada pelos valores que o Cristo nos deixou. Se somos intolerantes, se perdemos a paciência, se somos intransigentes, egoístas, e tantas coisas mais, temos que mudar nossas atitudes. Não existe aquilo de "eu nasci assim e vou morrer assim". Aquele que abraça a causa do Evangelho, que abraça com vontade seu nome de cristão, construtor do Reino, tem sim a capacidade de mudar.
 
Peçamos a Deus que nos ajude a ter um coração cada vez mais voltado a Ele e que todas as dificuldades que temos para compreender o plano de amor divino por toda a humanidade aproxime-nos da misericórdia de Deus. Deus nos ajude a nos despojarmos das coisas supérfluas e vãs, que nada acrescentam em nossas vidas. Assim, com toda certeza a recompensa virá a todos nós, não através de nossos méritos pessoais, mas pela misericórdia do amor infinito de Deus.

Padre Anderson Rodrigo.

1ª LEITURA: Is 55,6-9
SALMO: 144
2ª LEITURA: Fl 1,20c-24.27a
EVANGELHO: Mt 20,1-16a

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