O mês de agosto se foi. Mês que recordava e nos pedia que rezássemos por todas as vocações da Igreja, começando pela dos sacerdotes, depois pela vocação à família, das religiosas e religiosos, dos leigos e, por fim, lembrávamos daqueles que são os agentes de pastoral mais vistos na comunidade: os Catequistas.
Hoje iniciamos o mês de setembro, que tem como tema a BÍBLIA, nasceu em Minas Gerais, mais precisamente em Belo Horizonte, tendo apenas como comemoração o "Dia da Bíblia", comemorado no dia de São Jerônimo, responsável por traduzir a Bíblia do Aramaico, Hebraico e Grego (Línguas Oficiais das Sagradas Escrituras) para o chamado Latim vulgar. O "Dia da Bíblia", mais tarde, espalhou-se e surgiu, então, o "Mês da Bíblia".
Muito mais do que só nos lembrarmos das Sagradas Escrituras dentro do mês de setembro, devemos lembrar dela todos os dias. O mês de setembro vem para nos dizer que devemos criar o hábito de ler as Sagradas Escrituras todos os dias de nossas vidas. Precisamos saber utilizá-la não como um simples manual de sobrevivência, principalmente quando precisamos de respostas para muitas de nossas dificuldades. Devemos utilizá-la como instrumento de transformação e de oração. Por isso, existe a chamada "lectio divina", que é a leitura orante da Bíblia.
Quando praticamos a "leitura orante" da Bíblia, praticamos também nossa oração pessoal e comunitária ao mesmo tempo. Através dos ensinamentos sagrados vamos encontrando nossas respostas não só para as dificuldades que temos. Encontramos respostas até mesmo para nossas dificuldades emocionais, psicológicas, espirituais... Seria de uma pobreza imensa colocar às Sagradas Escrituras apenas nossos problemas. Abri-la somente quando precisamos de "uma palavra" confortante ou que nos oriente. Sabemos o quanto isso é complicado e até mesmo imprudente.
Certa vez, uma catequista, ao ouvir o problema de um de seus catequizandos que lhe contava acerca do problema do pecado, disse assim para a turma: "Vamos abrir a Bíblia (aleatoriamente) e ver o que o Espírito Santo tem a nos dizer". Eis que, sem alguma oração preparatória nem nada, ela retira a seguinte passagem de Mateus 18,8-9: "Se tua mão ou teu pé te levarem a pecar, arranca-os e atira-os para longe de ti...". Não preciso nem citar o restante da passagem para dizer o quanto isso chocou toda aquela turma de catequese e o quanto o texto ficou totalmente fora do seu contexto.
O problema de muitas seitas (e também de muitos movimentos eclesiais católicos) é o de colocar ao pé da letra textos sagrados como estes. Não farei aqui qualquer explicação ou qualquer exegese sobre o assunto, mas, é preciso cuidado. Cuidado principalmente nossas lideranças. Pois, o que dizemos aos nossos irmãos, poderá ou não ser tomado ao pé da letra. Por isso, nesse tempo das Sagradas Escrituras (que deve tornar-se um tempo diário em nossas vidas), saibamos usar muito mais de nosso testemunho e de nossa prática de vida do que citar, belamente, capítulos e versículos já pré-decorados.
A Bíblia, em nossas vidas, não deve ser uma coisa de decoração, mas deve ser algo que traz e transmite vida. É preciso dar testemunho. Certamente, quando dermos nosso testemunho, as palavras que usarmos para os irmãos serão muito melhor compreendidas do que apenas palavras ditas da boca para fora. Mais ainda, nesse tempo, tenhamos a coragem de sermos verdadeiros discípulos evangelizadores do Reino de Deus entre nós. E não sejam nossas Bíblias apenas enfeites de estantes em nossas casas, muito menos um livro a mais em nossas vidas.
Deus nos abençoe neste mês de setembro, pela intercessão de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

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