O Profeta Ezequiel nos apresenta, na primeira leitura, uma outra condição para nós que caminhamos e vivemos em comunidade: a correção fraterna. Também Jesus nos pede e nos ensina que devemos corrigir os irmãos no amor. Entretanto, ao corrigirmos um irmão, não devemos carregar conosco a prepotência de achar que somos melhores que ele. Pelo contrário, somos tão falhos quanto ele. Assim como temos a capacidade de corrigir alguém, também devemos ter a humildade para podermos ser corrigidos. Assim como o ímpio, quando nós nos arrependemos de nossas culpas, nós nos salvamos e, quando não aceitamos a reparação de nossas culpas, poderemos morrer por elas.
Devemos nos humanizar mais através dos erros, amadurecer e crescer. A Palavra de Deus deve ser a nossa fonte de reconciliação conosco mesmos, com os irmãos e com Deus. Através da correção fraterna, nós denunciamos o pecado, mas nunca devemos condenar o pecador, como se este não tivesse mais salvação. O único capaz de julgar o pecador é o próprio Deus e, ainda assim, ele age sempre com misericórdia.
Não é desejo de Deus que o injusto continue no pecado. É desejo de Deus que o ímpio viva e se converta. Somos também responsáveis pela salvação dos nossos irmãos: ninguém se salva sozinho. Se vemos um irmão no erro, devemos alertá-lo para que mude seu comportamento.
Todas as nossas ações, incluindo a correção fraterna, devem alicerçar-se no Amor, como nos diz São Paulo na segunda leitura. Quando difamamos o irmão, quando fazemos fofocas sobre ele, nãoa agimos conforme a lei divina que é a Lei do Amor. Quando falamos mal do irmão, falamos mal de Deus, pois, todos somos feitos à imagem e semelhança de Deus.
Nossa dívida com os irmãos deve ser sempre o amor mútuo. Cuidar daqueles que estão doentes, estarmos juntos aos que sofrem abandono, perseguições, entre tantos outros males. O exercício da correção fraterna é um ato de responsabilidade de todos os cristãos, como nos fala Jesus no Evangelho. Como nos pede Jesus, a correção fraterna não deve ser feita de forma a humilhar o irmão. Deve ser feita em particular, a sós, para que, assim, aquele que pecou contra nós ou que pecou contra a comunidade, não sofra ainda mais humilhação.
Sabemos o quanto é ruim o pecado e o quanto ele nos deixa humilhados. Portanto, quando tivermos a intenção de corrigir fraternalmente um irmão, façamos de modo a usar a grande Regra de Ouro: "Faça ao irmão aquilo que quer que seja feito a você. Não faça ao irmão aquilo que não quer que seja feito a você". Quando formos corrigir alguém fraternalmente, pensemos de que modo gostaríamos também nós de ser corrigidos. Assim, fazemos não só o bem ao irmão e a nós mesmos, mas, fazemos também a vontade de Deus. Desse modo, a comunidade ao invés de se sentir dividida, constrói entre si laços ainda mais fortes.
SALMO: 94
2ª LEITURA: Rm 13,8-10
EVANGELHO: Mt 18,15-20

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